top of page

Sou carioca, brasileira e sobrevivente

  • Magnólia Benone
  • 27 de nov. de 2022
  • 4 min de leitura

Se fizerem uma enquete sobre quantas vezes alguém já foi assaltado, posso responder:


“- Eu fui assaltada 10 vezes e tudo aconteceu na minha bela cidade do Rio de Janeiro”.


Fico triste quando me lembro que a minha querida cidade está tão insegura para viver.


Como foram os assaltos que sofri? Conto agora:



1981

Dentro de um ônibus, na Avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, um rapaz me prensou no canto do banco, me mostrou uma arma na cintura e me tirou todo o dinheiro. Nunca mais sentei-me no lado da janela, mesmo quando o ônibus está mais vazio. Fica aí um alerta!


1982

Na Avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, arrancaram o cordão do meu pescoço, enquanto eu estava em um ponto de ônibus indo para a faculdade. Fiquei somente arranhada e sem o cordão, é claro. Nunca mais quis colocar um cordão que, ao menos, lembrasse o dourado.


1985

Na Praça XV, enquanto esperava o meu ônibus à noite, um rapaz chegou perto de mim, me olhou, eu olhei para ele e eu então já sabia, dentro de mim, o que ia acontecer. Ele pediu todo o dinheiro o que eu tinha na bolsa. Dei, fazer o quê?


1990

Caminhava com a minha irmã menor, na rua da minha casa, que ficava na Ilha do Governador, quando um rapaz parou, ao nosso lado, de bicicleta me mostrou um revólver na cintura e pediu o relógio que eu tinha. Fazer o que contra uma arma?


1994

No carro de um amigo, eu estava sentada no banco do carona. Um jovem chegou com um grande caco de vidro e ameaçou cortar o pescoço do meu amigo caso ele não entregasse o dinheiro. Durou pouco tempo, poucos segundos, em um dos semáforos na Rua Voluntários da Pátria em Botafogo. Tive que dar o meu dinheiro. Por sorte eu não estava com o celular.


1995

Em frente ao Centro Empresarial Rio, Praia de Botafogo, por volta das 19h, um homem saiu de trás de uma árvore com um canivete, cortou rapidamente a alça da minha bolsa e saiu correndo com ela. Eu corri atrás dele, mas depois parei pois jamais iria alcançá-lo. Eu tinha um jantar com uma amiga...nem jantamos. Pedi a sua ajuda, para me acompanhar até a minha casa e pagar um chaveiro para arrombar a porta do meu próprio apartamento e trocar as chaves etc etc. Aliás perdi os documentos etc etc e tal.


1998

Em um ônibus, outra vez na Avenida Brasil, na altura de Manguinhos, acompanhada pela minha mãe, entraram uns 05 rapazes e anunciaram o assalto. Não sei por que, mas roubaram todos menos eu e minha mãe... acho que dessa vez não devo contar como assalto... Bom, devo contar sim, pois assaltaram o meu direito de ir e vir, e outras pessoas foram assaltadas materialmente, não importa se eu não fui, mas outras pessoas foram e fiquei solidária e triste por elas.


2007

Em um ônibus com ar-condicionado na Linha Vermelha, 03 rapazes entraram, um portava uma arma e anunciou o assalto. Levaram mochilas, celulares, relógios de todos e ainda bateram no rosto de um passageiro. Depois saltaram um pouco antes do Batalhão da Polícia. Eu estava indo para a primeira reunião dos meus ex-colegas de escola secundária. Cheguei no encontro, não exatamente emocionada, mas assustada. Não preciso dizer que não aproveitei nada daquele encontro, mas isso é detalhe, pois o importante é que fiquei viva para contar.


2007

Em um ônibus, na Ilha do Governador, sentei-me distraidamente (porque depois de tantas experiências fiquei muito alerta, mas às vezes, ACREDITE, a gente relaxa, meio se acostuma com toda essa barbárie), de repente fui trazida para a dura realidade por um rapaz usando a camisa do Flamengo (nada tenho contra o time, mas sou Botafogo) que me mostrou um revólver (tinha bala? não sei? não era o momento de conferir, pois a gente sempre parte do princípio de que eles estão falando a verdade). Ele mesmo abriu a minha bolsa e me xingou porque eu não tinha celular e ficou irritado porque eu tinha pouco dinheiro. Mandou-me descer do ónibus, em frente ao Cemitério do Cacuia e me ameaçou, dizendo que se eu olhasse para trás ou gritasse atiraria nas minhas costas. Obedeci claro. Desci sem dinheiro e tive que pedir para uma senhora que estava no ponto do ônibus para pagar a minha passagem, por sorte ela acreditou em mim. Incrível!


2007

Em um ônibus, na altura da Estação da Leopoldina, entrou um grupo de 08 jovens liderados por uma menina jovem que falava "palavrões de ordem" para o grupo e para todos os passageiros, não esquecendo, ainda, de ameaçar o motorista e o trocador. O ônibus tomou a direção da Linha Vermelha e foi fácil para eles roubarem a gente durante uns 05 minutos. Se divertiram como puderam, pois estavam todos visivelmente drogados. Chocante!


Enfim, não moro mais no Rio. Resido no Exterior. Não estou morando aqui para fugir do Rio, pois se eu não tivesse me casado, possivelmente, estaria ainda morando lá e teria, certamente, ainda mais coisas para contar. Isso se eu estivesse viva, se eu sobrevivesse, é claro!


Magnólia Benone

Suíça, 18 de novembro de 2009.

Posts recentes

Ver tudo

Comments


M&G-477.jpg

Olá!
Boa leitura
e boa viagem! 

Não perca nenhuma postagem

Obrigada!

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • Pinterest

Conte a sua história

Obrigada por compartilhar!

© 2021 Magnólia Benone

bottom of page